segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

O TURISMO REGIONAL AINDA ESTAGNADO


O Programa Proacesso realmente facilitou a vida de muitas cidades na região. Mais conforto e comodidade realmente facilitam o acesso de moradores e visitantes, mas esse fato não significou ainda uma revolução no segmento turístico como em outras regiões de Minas. Apesar do asfalto, muitas cidades ainda continuam com a mesma estrutura deficiente ou nenhuma relativa ao apoio turístico. Por muitos anos muitos reclamavam da falta de asfalto e do quanto isso prejudicava o desenvolvimento do turismo. Entretanto, a situação hoje já é muito diferente na questão dos acessos, mas isso não significou o avanço de que tanto se falava. O público maior e com demanda crescente na região, se encontra em Montes Claros e outras cidades polo com Pirapora, Januária, Salinas e Janaúba. Com o aumento da quantidade de linhas aéreas instaladas no aeroporto de Montes Claros, essas possibilidades crescem bastante.
Problemas com a falta de hospedagem adequada ainda é um dos grandes entraves do receptivo e com certeza afastam a possibilidade de muitas cidades realmente se consolidarem como uma boa opção para uma cliente cada vez mais ávida por novos roteiros, atrativos e novas possibilidades. Quem sai por exemplo de Montes Claros, para um destino entre 100 e 200 Kms, na grande maioria dos casos precisa volta no mesmo dia, o que é muito cansativo, além de agregar pouco economicamente para a cidades visitadas.
Difícil é esperar pela ação eficiente do poder público, que na grande maioria das vezes age embasado no interesse populista ou político eleitoral, com ações inconsistentes e muitas vezes totalmente erradas e muitas vezes ilegais. É a solução para isso, não significa altos investimentos. Primeiro é preciso vontade política e capacidade administrativa, qualidades cada vez mais raras nos políticos atuais. Depois é preciso que o planejamento de todas as ações seja compartilhada com toda a sociedade, incluindo todos os empresários (formais e informais), entidades e órgãos e o cidadão comum. O modelo ideal já existem e consiste principalmente na criação e funcionamento dos Conselhos Municipais de Turismo. Difícil e mostrar para os prefeitos que esse é o melhor caminho e que o papel principal do gestor público e apoiar mais e interferir o menos possível no processo, não podando as boas inciativas como acontece muito por aí.
O carnaval é uma das provas do problema e da incompetência política. A máxima do "pão e circo" embalada pelo ano eleitoral faz com que prefeituras torrem recursos públicos no carnaval com a desculpa de que os eventos geram emprego e renda para todos. Isso ocorre em raríssimas exceções, pois na maioria dos casos toda a estrutura montada, incluindo a contratação de bandas, palcos, segurança, transporte, hospedagem e alimentação sai dos cofres públicos. Na ponta do lápis, trata-se de um subsídio perverso e que tira recursos importantes da saúde educação de municípios pobres, com baixo Índice de Desenvolvimento Humano-IDH e níveis de arrecadação quase que insignificantes. Fora isso tem ainda a corrupção, o desvio de recursos, o superfaturamento e muito prejuízo. E nessa onda, enquanto o povo pula, os políticos inescrupulosos faturam com a ilusão de progresso. Tudo momentâneo e com uma ressaca brava que dura o resto do ano.
Um dos avanços da política pública em Minas Gerais foi a criação dos Circuitos Turísticos. Muitos realmente revolucionaram algumas regiões, mas no Norte, Nordeste e Noroeste do Estado, pouca coisa avançou, a não ser a propaganda pública. Na prática os circuitos não funcionam nem com uma divulgação adequada e muito menos em mudanças necessárias no receptivo das cidades.
O Governo do estado precisa rever a política de turismo para a nossa região, que tem outras carências e peculiaridades negativas que dificultam o avanço no setor.

As maiores deficiências:
  • Hospedagem precaríssima (espaço, conforto, limpeza);
  • Deficiência na informação turística;
  • Inventários deficientes ou mal avaliados;
  • Artesanato de baixa qualidade;
  • Treinamento e capacitação de pessoal (ausência e/ou deficiência) - Condução, artesanato, culinária, receptivo, hospedagem, segurança, meio ambiente, administração, etc;
  • Sinalização e material gráfico;
  • Falta ou funcionamento irregular ou inexpressivo de Conselhos de Turismo;
  • Depredação do patrimônio natural e histórico;
  • Falta ou deficiência na manutenção dos atrativos;
  • Transporte
  • Preservação ambiental e cultural do patrimônio existente.
Tudo o que estou dizendo já não é novidade há muito tempo, desde os processos de mobilização feitos pelo Banco do Nordeste e Sectur/MG por ocasião do "furado" Prodetur, até as dezenas de projetos apoiados por instituições como o Sebrae, Senac, Unimontes, Faculdades Pitágoras (curso de turismo) ONGs como o Instituto Grande Sertão-IGS (Proturismo em Botumirim, Cristália e Grão Mogol). Todas essas ações reuniram milhares de informações e dados que até hoje ainda são válidos, necessitando apenas de atualização.
Até quando nossa região vai continuar "patinando" nessa questão?

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Inaugurado presépio ao ar livre em Grão Mogol





Sex 09/12/11 - 12h - Grão Mogol ganha hoje à noite aquele que pode ser o maior presépio "perene e a céu aberto" do mundo

A cidade de Grão Mogol vai ganhar hoje à noite aquele que pode ser o maior presépio permanente do mundo na sua categoria - “perene e a céu aberto”. O “Presépio Natural Mãos de Deus” será inaugurado às 19 horas. A obra foi construída sob a liderança do empresário Lúcio Bemquerer, filho da terra e de grande prestígio no mundo empresarial brasileiro. (Em Minas, entre outras coisas, foi presidente da Associação Comercial). Foram oito meses de trabalho. O presépio fica no perímetro urbano de Grão-Mogol, numa área de 3.600 m2. Foram utilizados 1,5 km de ferro para corrimãos e 1.200 m2 de pedras tipo São Tomé, originárias de Grão-Mogol. O presépio tem 72 m2 de frente e 30 m2 de altura. Construído com recursos próprios, custou entre R$ 500 e 600 mil. Conta com 17 personagens bíblicos, em tamanho natural, esculpidos em cimento pelo escultor Antônio da Silva Reis. Os visitantes terão acesso aos personagens como num palco de teatro. O Instituto Mãos de Deus, recém-criado, vai gerir o presépio. O local, aberto para o vale, será utilizado também como palco monumental para apresentações musicais.

Fonte: montesclaros.com -


domingo, 27 de março de 2011

CRISTÁLIA E GRÃO MOGOL RECEBEM ICMS DO TURISMO



A Lei Robim Hood, um dos instrumentos mais modernos do país na distribuição de recursos públicos do ICMS –Imposto Sobre Circulação de Mercadorias, vem sendo constantemente aperfeiçoada em Minas Gerais e já é modelo para muitos outros estados brasileiros.
A partir de Janeiro de 2010, mais uma inovação da Lei, incluiu o Turismo entre os critérios de distribuição para os municípios. Ou seja, as prefeituras tiveram um ano para se adequarem para estarem aptas a receber mais recursos a partir de janeiro de 2011.
Apenas 44, do total de 853 municípios do Estado, apresentaram as documentações exigidas e começaram a receber esses recursos. Do Norte de Minas apenas duas prefeituras cumpriram o dever de casa: Grão Mogol e Cristália. As duas receberam apenas em janeiro e fevereiro, R$17.460,10 e R$13.968,08 respectivamente. Quantias significativas para a arrecadação de municípios ainda entre os mais carentes de recursos do Estado. Poderão receber em média, ao final de 2011, aproximadamente R$180.000,00.
As exigências para pontuação:
  • Que o município participe efetivamente do Programa de Regionalização do Turismo da SETUR – fazendo parte de um Circuito Turístico credenciado pelo Estado;
  • Tenha implantado uma política municipal de turismo;
  • constituir e manter em regular funcionamento o Conselho Municipal de Turismo e o Fundo Municipal de Turismo.

Mas afinal, o que acontece com as outras prefeituras do Estado e principalmente do Norte de Minas, entre elas as de Montes Claros, Pirapora, Januária, Janaúba e Salinas; que estão entre as que mais arrecadam na região? Essa inércia e provocada por falta visão política estratégica, desinteresse ou é realmente incompetência administrativa?
Muitos municípios têm esses processos já em andamento. Mas para surpresa geral, muitos tidos como potenciais pólos de turismo não conseguiram atingir as metas.
O que sabemos efetivamente é que há uma grande distância entre o discurso e a prática. Os prefeito afirmam que esse tema é prioridade, que o turismo tem grande potencial, que é gerador de emprego e renda, blá blá blá e pronto. No final, nada sai do papel. O empresariado, as instituições, órgãos e a sociedade civil são mobilizados para os eventos, formação de conselhos, reuniões cansativas e muitas outras ações que demandam, além do tempo, a capacidade, a dedicação e muita paciência. Na ponta do processo está o poder público, que de forma irresponsável não vem cumprindo sua parte.
Tive a oportunidade de acompanhar as discussões sobre esse tema desde o início da década de 90, quando começaram as articulações para que Minas Gerais (área mineira da Sudene) pudesse ser contemplada com recursos importantes do Banco Mundial, a serem aplicados em vários setores, principalmente infra estrutura. Para tristeza geral, perdemos o Prodetur I e no II, depois de meses de mobilização, tendo a frente o Banco do Nordeste e a Secretaria de Estado do Turismo-SETUR, apenas uma parte do Vale do Jequitinhonha (não a mais carente), conseguiu a liberação de parte dos recursos. Ficamos mais uma vez a ver navios. Enquanto isso o Nordeste “nada de braçada”, com obras e mais obras fundamentais, como, portos, aeroportos, saneamento básico, estradas, capacitação de mão de obra e muito mais.
Talvez essa sequência de frustrações tenha desestimulado muitas prefeituras a se empenharem mais na busca de um desenvolvimento turístico efetivo. Porém, muitas medidas locais podem gerar excelentes resultados, mais concretos e sustentáveis. Além disso, é preciso exigir mais empenho das lideranças políticas da região e do governo do Estado.
Quando ao bom empenho de Grão Mogol e Cristália (Circuito IRAPÉ), que seja duradouro e um exemplo para os outros municípios.
Mais informações sobre a Lei Robim Hood e os repasses do ICMS: http://www.fjp.mg.gov.br/robin-hood/index.php/transferencias/index.php?option=com_jumi&fileid=15
No site todos podem, e devem, acompanhar a lista geral detalhada de todos os repasses feitos aos municípios em diversos setores, inclusive saúde, educação, meio ambiente, patrimônio histórico, etc.